Sustentabilidade social, uma nova visão do papel das empresas

O homem sempre trabalhou mal os assuntos sociais, ou por desconhecimento da sua amplitude ou porque as suas soluções são complexas e envolvem desdobramentos que não estamos preparados para administrar.

A discussão de assuntos sociais na atualidade tem que lidar com uma nova visão dos papéis dos seus participantes, desde as empresas, passando pelo poder público, até a própria sociedade.

O grau de responsabilidade de cada um tem mudado muito nestes últimos anos, deixando de ser visto separadamente para buscarmos uma análise conjunta. Essa nova interpretação de papéis trouxe à luz uma nova distribuição de responsabilidade social, sendo que a participação deixa de ser voluntária e passa a ser necessária e obrigatória.

O não atendimento das expectativas das pessoas e organizações envolvidas representará quebra de confiança e frustração das partes. Os riscos de não acharmos o caminho que nos leve a uma posição melhor que a atual tem disparado reações nervosas e preocupantes de observadores e estudiosos dessa situação.

O conceito da sustentabilidade no lado social apóia-se no direito que todas as pessoas devem ter às mesmas condições. E se assim não for possível que essas condições sejam, no mínimo, mais adequadas para permitir que os menos favorecidos ascendam e possam conseguir participar da distribuição de renda e de bens.

Não cabe aqui discutir visões apaixonadas sobre as diferenças do capitalismo ou socialismo, quais são as suas vantagens ou desvantagens. Minha visão é pragmática e realista. Mudanças sociais são feitas num processo lento e difícil por envolver interesses conflitantes entre as partes.

É a velha briga entre classes que tem movimentado nossa história há vários séculos. As nações das várias regiões do mundo têm em suas culturas alicerce ou barreiras para a construção de sociedades mais justas e dignas.

As crenças religiosas também podem ajudar ou atrapalhar essa estruturação social. Tudo dependerá de como a busca da realização material é entendida por essas organizações. Se o sofrimento e a pobreza são entendidos como purificadores, possivelmente o estímulo para as mudanças necessárias será comprometido e falhará.

A justiça é um conceito claro como entendimento universal, porém, seu uso no nosso dia-a-dia é relativo e parcial. Ser socialmente justo é mais que requerer ou oferecer direitos iguais, são condições iguais para todos, é buscar dar às pessoas as melhores condições possíveis, e quando digo possíveis quero expressá-la dentro da realidade de cada região com suas particularidades.

As maiores mudanças ocorrem hoje nas empresas, por terem de se adaptar às constantes transformações impostas pelas inovações e novas necessidades criadas pela sociedade moderna. Elas assumem um papel de revisoras de costumes e hábitos e forçam as comunidades nas quais estão inseridas a rever suas posições.

São, portanto, as empresas que têm as melhores condições de liderar o movimento de rediscussão das mudanças necessárias para a melhoria social. Acredito que os empresários e executivos das empresas privadas ou públicas deveriam participar mais, neste momento, de grandes mudanças e de percepção de piora da realidade vivida.

O poder público e a sociedade esperam, por razões diferentes, soluções que possivelmente virão das empresas. São elas as mais bem preparadas, por fazerem o papel de ligação entre as outras duas, e por entenderem melhor seu papel neste momento.

Como empresário, e presidente de uma empresa, gostaria de convidar a todos, pequenos, médios ou grandes empresários, para começar a se movimentar de forma mais organizada e, assim, atender ao clamor por melhorias nos aspectos sociais de nossas cidades.

Essas mudanças se fazem necessárias agora. Não podemos mais postergá-las sob pena de frustrarmos todos, com graves conseqüências para o nosso futuro.

Do triângulo da sustentabilidade, o lado social é, de longe, o seu aspecto mais importante. É dele que emanam os problemas ou soluções para os outros dois lados, o econômico e o ambiental. E as empresas são as grandes responsáveis por ajudar a desenvolvê-lo.

~ por Coris em 7 de outubro de 2008.

Uma resposta to “Sustentabilidade social, uma nova visão do papel das empresas”

  1. este tema é muito interessante e concordo plenamente.Como estudane de administração e futura Líder administradora me interesso por este assunto e acho Imprescindível abordar cada vez mais este tema até que todos saibam e ponham em pratica. e o mundo gire em torno da sustentabilidade.

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